Corínthians é campeão paulista 2017

De “quarta força” do Estado a campeão do Campeonato Paulista. Em cinco meses, o desacreditado Corinthians, formado por um elenco com jogadores pouco badalados e até por apostas da diretoria em virtude da grave crise financeira que atravessa, superou as expectativas e com um futebol que privilegia a organização tática conquistou o seu primeiro título em uma temporada que era vista sob desconfiança.

O 28º troféu Estadual veio após o empate em 1 a 1 com a Ponte Preta, no Itaquerão. No jogo de ida, o clube alvinegro já havia vencido por 3 a 0.

O time se isolou ainda mais na liderança de conquistas do Paulista. Palmeiras e Santos, que dividem a segunda posição, têm 22. O São Paulo soma 21 taças.

O desfecho deste domingo, porém, só foi possível porque o grupo se mostrou unido e comprou as ideias defensivas do técnico Fábio Carille, que assumiu o cargo no final do ano passado após o clube não encontrar no mercado profissionais livres e que se enquadravam na realidade financeira do time.

Um dos principais problemas financeiros enfrentados pelo clube é com relação ao Itaquerão, construído em 2014 para ser palco da abertura da Copa do Mundo, que continua acumulando prejuízos. Por contrato, o valor total da construção do estádio foi de R$ 985 milhões. O custo somado com os juros chegará a R$ 1,64 bilhão.

A dificuldade aumentou no início deste ano em virtude do começo pouco empolgante da equipe, que afastou o torcedor do estádio. A renda dos jogos é essencial para o pagamento da arena, já que é destinada a um fundo para quitar as dívidas.

Dentro de campo, a torcida corintiana via um time sem referência. Dos quatro clubes considerados grandes foi o que menos investiu. O Palmeiras só com Borja e Guerra gastou R$ 45 milhões. O São Paulo pagou R$ 20 milhões em Lucas Pratto, enquanto o Santos investiu R$ 13,5 milhões em Bruno Henrique.

Já o Corinthians optou por nomes como o volante Paulo Roberto, o zagueiro Pablo e o atacante Kazim, o que irritou os torcedores, que protestaram. Os mais conhecidos foram Jô, contratado no ano passado, e Jadson, que chegaram sob desconfiança após atuarem no futebol chinês, além do volante Gabriel, pouco utilizado no rival Palmeiras em 2016.

No dia 11 de janeiro, membros das torcidas organizadas foram ao Centro de Treinamento protestar. “Presidente omisso” e “era Dualib mais era Andrés Sanchez é igual a falência financeira do Timão” eram algumas das faixas estendidas no portão do CT.

Fora de campo, o Corinthians vivia grandes problemas nos bastidores. O presidente Roberto de Andrade passava por um processo de impeachment, que acabou sendo arquivado após acordo com o grupo encabeçado pelo ex-presidente Andrés Sanchez.

O prognóstico pessimista dos torcedores aumentou na segunda rodada do Campeonato Paulista. Em casa, a equipe foi derrotada por 2 a 0 para o Santo André e saiu de campo vaiada. Na primeira rodada, uma vitória magra com um gol de pênalti

REVIRAVOLTA

No início de janeiro, Fábio Carille disse que todos os problemas extra-campo não chegariam aos jogadores e que aquele protesto do dia 11 “fazia parte das equipes grandes”.

Tratado como a “quarta força do futebol paulista”, a equipe ignorou as críticas e passou a aprimorar principalmente o setor defensivo.

“Até nós mesmos achávamos que éramos a quarta força. Mas procuramos nos fechar, olhar no olho de cada um e falar a verdade”, revelou Carille uma semana antes do último confronto pelo Paulista.

O duelo contra o Palmeiras, pela quinta rodada do Estadual, foi uma das provas de que o time tinha assimila a inferioridade técnica para o rival, que tornou-se um dos mais badalados do país pelo investimento feito, e jogou dentro de suas possibilidades.

No segundo tempo, com um jogador a menos, Carille recuou o time formando duas linhas de quatro para segurar o empate e apostou em uma bola para tentar vencer a partida, o que aconteceu com Jô.

O resultado positivo e o estilo aguerrido dos atletas colocaram a torcida novamente ao lado do clube. A esperança dos torcedores reascendeu e o público na Arena Corinthians aumentou no jogo seguinte.

E foi justamente em um novo clássico, desta vez contra o Santos. O gol da vitória novamente foi de Jô, que viria a se especializar em marcar contra os rivais -em cinco duelos foram cinco gols.

A confiança do grupo foi elevada, e nem mesmo a eliminação na Copa do Brasil, em derrota nos pênaltis para o Internacional abalou na disputa pelo título Paulista.

A conquista coroou uma campanha de 11 vitórias, cinco empates, duas derrotas, 21 gols marcados e apenas dez sofridos (Terá que atualizar).

40 ANOS DEPOIS

O confronto deste domingo reeditou a decisão do Campeonato Paulista de 1977, que ficou marcada pelo fim da seca de 23 anos sem títulos do Corinthians.

A final de 40 anos atrás teve herói de um lado e vilão do outro. Pelo time corintiano, Basílio fez o gol do título aos 36 minutos do segundo tempo, no terceiro jogo da final (1 a 0).

Na mesma partida, o atacante Rui Rei foi expulso aos 16 minutos da etapa inicial por reclamar acintosamente de falta com o árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia.

Quatro meses depois, o jogador foi anunciado como novo reforço do Corinthians.

A negociação gerou polêmica sobre um comprometimento dele naquela decisão.

Em 1979, as equipes voltaram a se encontrar, e o time da capital mais uma vez saiu vitorioso.

CORINTHIANS

Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Arana; Paulo Roberto; Jadson (Pedrinho), Maycon, Camacho (Clayton) e Romero (Léo Jabá); Jô. Treinador: Fábio Carille

PONTE PRETA

Aranha, Nino Paraíba, Marllon, Yago e Reynaldo; Fernando Bob, Jádson (Ravanelli) e Elton; Lucca (Yuri), Pottker e Clayson (Lins). Treinador: Gílson Kleina

Gols: Romero (C), aos 17min, e Marllon (P), aos 40min do 2º tempo

Local: Itaquerão

Público: 46.462 pessoas

Renda: R$ 2.792.212,60

Juiz: Leandro Bizzio Marinho (SP)

* Matéira Folha Press

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